Projeto de “ficha limpa” na segurança terceirizada é rejeitado por 8 a 5 e gera críticas a vereadores do PL
Votação na Câmara provoca reação nas redes sociais; autor da proposta sugere que decisão pode ter sido influenciada por motivações políticas
A rejeição do projeto de lei apresentado pelo vereador Rafael Freitas, por 8 votos a 5 na Câmara Municipal, continua repercutindo dentro e fora do plenário. A proposta previa que empresas terceirizadas contratadas pela Prefeitura fossem obrigadas a apresentar certidões negativas de antecedentes criminais de seus funcionários, especialmente para atuação em áreas sensíveis como a segurança.
O objetivo, segundo o autor, era impedir que pessoas condenadas por crimes como tráfico de drogas, estupro, roubo e furto — ainda em cumprimento de pena — atuassem na proteção de espaços públicos. A justificativa reforçava a necessidade de garantir mais segurança à população e preservar o patrimônio público
Após a votação, o debate ganhou força nas redes sociais, principalmente em relação ao posicionamento de vereadores ligados ao Partido Liberal (PL). Entre eles, Rogério das Tintas e Athos Martinez, que votaram contra o projeto.
Internautas passaram a questionar a coerência dos votos com os princípios tradicionalmente defendidos pelo partido, frequentemente associado a pautas de segurança pública mais rígidas. No caso de Rogério das Tintas, que também é conhecido por sua atuação ligada ao meio evangélico, parte dos comentários destacou uma suposta contradição entre discurso e prática.
Nas redes, surgiram críticas e apelidos como “Sabor PL” e “Sabor evangélico”, usados por usuários para ironizar o posicionamento dos parlamentares. As manifestações refletem a insatisfação de parte da população com o resultado da votação, especialmente entre aqueles que defendiam a aprovação da proposta.
Apesar das críticas, não houve, até o momento, posicionamento público detalhado dos vereadores citados explicando os motivos do voto contrário.
Ao final da sessão, o vereador Rafael Freitas voltou a se manifestar e fez uma avaliação mais ampla sobre o resultado da votação. Segundo ele, nem sempre as decisões do Legislativo refletem diretamente o desejo da população. O parlamentar também levantou a hipótese de que o posicionamento de alguns vereadores possa ter sido influenciado por questões políticas ou até mesmo pessoais.
“Nem sempre a casa vota em acordo com o que a população anseia”, afirmou. Ele ainda sugeriu que “talvez os votos poderiam ser por motivações pessoais ou políticas”, reforçando sua insatisfação com o desfecho da proposta.
Mesmo assim, Rafael Freitas manteve o tom de respeito institucional e reafirmou seu compromisso com a pauta. “Meu projeto de lei tinha um objetivo claro: garantir mais segurança para a população e proteger o patrimônio público”, destacou anteriormente em suas redes sociais.
Ele também declarou que continuará defendendo suas convicções. “Respeito o debate democrático e a decisão do plenário. Defendi e sempre defenderei aquilo que acredito. Minha parte fiz. Sigo de cabeça erguida!”, completou.
A votação contou com o apoio dos vereadores André Gabardo, Gustavo Torres, Sargento Leandro Chrestani e Sensei Clovis, que se posicionaram favoravelmente ao projeto. Já o presidente da Câmara, Alexandre Guimarães, não votou, conforme prevê o regimento interno, e o vereador Junior Polaco Preto esteve ausente por compromisso institucional.
O episódio evidencia não apenas divergências políticas dentro do Legislativo municipal, mas também o impacto das decisões parlamentares na opinião pública, especialmente em temas sensíveis como segurança, contratação pública e critérios para atuação em serviços terceirizados.
Matéria: Marcopolo Pais




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