Clínicas vendem Ozempic dos ricos sem receita, revela site
Mesmo antes de ser oficialmente disponibilizado nas farmácias brasileiras, o medicamento Mounjaro, conhecido como “caneta emagrecedora”, já é alvo de comercialização irregular em clínicas de estética. Uma reportagem do site g1 publicada nesta sexta-feira (2), flagrou a venda fracionada e sem receita em estabelecimentos no Maranhão e no Piauí. Essas clínicas promovem o produto por redes sociais ou WhatsApp, oferecem avaliações de bioimpedância e consultas feitas por profissionais não médicos, como biomédicos ou nutricionistas. As práticas contrariam as regras da Anvisa, que exige venda exclusivamente em farmácias, em embalagens não fracionáveis, mediante prescrição médica.
A reportagem revelou que, em Teresina, a proprietária de uma clínica admitiu vender o Mounjaro após testar o produto em si mesma, alegando ter perdido 21 quilos. Ela descreveu protocolos que incluíam suplementação e aplicações mensais, prática criticada pela endocrinologista Simone Van de Sande Lee, que reforçou que a titulação da dose deve ser feita apenas por médicos, de forma gradual e individualizada. Em São Luís, outra clínica oferecia doses extraídas de embalagens originais, entregues por delivery, o que, segundo especialistas, aumenta os riscos de contaminação e falta de garantia da autenticidade do produto.
Dados da Receita Federal e Polícia Federal apontam para um aumento expressivo no contrabando do Mounjaro em 2025, com apreensões que somam R$ 1,2 milhão no primeiro trimestre. A Anvisa também recebeu 51 notificações de eventos adversos relacionados ao uso de tirzepatida. A partir de julho, quando o medicamento estará disponível legalmente, será exigida a retenção da receita para todas as marcas de canetas emagrecedoras, como medida de segurança.




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