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Campo Largo,23/08/2026

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Jovem de 23 anos morre após horas aguardando transferência para o Hospital do Rocio

Ana Luiza Andrade dos Santos, de 23 anos, teria aguardado durante todo o dia por uma ambulância após a liberação de uma vaga; relatos apontam que a prioridade dada a transportes externos pode ter contribuído para a demora


Jovem de 23 anos morre após horas aguardando transferência para o Hospital do Rocio

A morte de Ana Luiza Andrade dos Santos, de 23 anos, em Campo Largo, está levantando graves questionamentos sobre o atendimento prestado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o sistema de transporte de pacientes para o Hospital do Rocio.

Segundo informações e relatos obtidos pela TV Campo Largo, a vaga para transferência da jovem teria sido disponibilizada no final do dia 18 de agosto, com encaminhamento previsto para o Hospital do Rocio no dia 19 de agosto, às 8 horas, para que a transferência fosse realizada na manhã seguinte, por volta das 8 horas.

No entanto, de acordo com o relato recebido pela reportagem, Ana Luiza teria permanecido durante praticamente todo o dia aguardando a disponibilidade de uma ambulância para realizar a transferência.

Durante esse período, seu quadro clínico teria apresentado piora progressiva.

Vaga disponível, mas paciente aguardando transporte

Segundo o relato, mesmo com a vaga hospitalar disponibilizada, o transporte não teria ocorrido no período da manhã.

A paciente teria permanecido na UPA aguardando uma ambulância enquanto seu estado de saúde se agravava.

Em determinado momento, o SAMU teria sido acionado, mas, segundo as informações repassadas à reportagem, o serviço também enfrentava um grande número de ocorrências naquele período, o que teria dificultado uma resposta imediata.

Com o agravamento significativo do quadro, teria sido tomada uma medida emergencial: Ana Luiza foi colocada em uma ambulância simples, enquanto um médico que estava na própria UPA teria sido retirado de suas atividades para acompanhar a paciente durante a transferência até o Hospital do Rocio.

Segundo o relato, a equipe teria realizado o transporte às pressas diante da gravidade da situação.

Pouco tempo depois, Ana Luiza Andrade dos Santos, de 23 anos, faleceu em Campo Largo.

Relato aponta possível problema na prioridade das ambulâncias

Um dos pontos mais graves apresentados à reportagem envolve a forma como as ambulâncias da UPA estariam sendo utilizadas.

Segundo informações repassadas por pessoas que acompanham a rotina do serviço, orientações atribuídas à Secretaria Municipal de Saúde e repassadas pela diretora determinariam prioridade para os chamados "transportes externos" realizados pelo município.

Entre esses transportes estariam, segundo o relato, altas hospitalares, pacientes que precisam realizar exames em clínicas e pacientes que possuem consultas ou atendimentos em hospitais.

A consequência, segundo a denúncia, seria a retirada de ambulâncias e motoristas da estrutura da UPA para atender esses deslocamentos, enquanto pacientes que aguardam transferência hospitalar permaneceriam na unidade esperando a disponibilidade de transporte.

De acordo com o relato recebido pela TV Campo Largo, diversas vagas hospitalares são liberadas, mas o paciente permanece por horas na UPA aguardando que uma ambulância esteja disponível para realizar o encaminhamento.

Essa situação estaria provocando questionamentos frequentes por parte de familiares.

Equipe estaria preocupada com a situação

Ainda segundo as informações recebidas pela reportagem, profissionais da própria unidade estariam preocupados com a situação.

O relato aponta que, em algumas ocasiões, integrantes da equipe discordariam da prioridade estabelecida, principalmente quando percebem que determinado paciente apresenta quadro grave e necessita de transferência hospitalar com urgência.

Segundo a denúncia, mesmo diante da avaliação de gravidade feita pela equipe, os profissionais precisariam seguir as orientações determinadas pela gestão.

O caso de Ana Luiza passou a ser citado justamente como uma situação que poderia representar as consequências desse modelo de prioridade.

"Se tivesse prioridade pela manhã, poderia ter outro final"

Uma das afirmações repassadas à reportagem é de que, caso a transferência de Ana Luiza tivesse sido priorizada durante a manhã, o desfecho poderia ter sido diferente.

Essa afirmação, entretanto, precisa ser tratada com cautela.

Não é possível afirmar que a demora no transporte tenha causado ou contribuído diretamente para a morte da jovem sem uma avaliação médica e uma investigação técnica sobre o caso.

O que precisa ser esclarecido é se o tempo de espera esteve dentro dos protocolos estabelecidos para pacientes com indicação de transferência hospitalar e, principalmente, se havia critérios que justificassem a manutenção da paciente na UPA durante tantas horas após a disponibilização da vaga.

Paciente com possível necessidade cirúrgica

Outro ponto levantado pela denúncia é que Ana Luiza apresentaria um quadro que poderia demandar avaliação e possível procedimento cirúrgico.

Segundo o relato, pacientes com esse tipo de quadro não deveriam permanecer durante tantas horas aguardando transporte caso já exista indicação de transferência e uma vaga hospitalar disponível.

A questão central agora é saber quais critérios foram utilizados para definir a prioridade do transporte naquele dia e por que a ambulância não foi disponibilizada anteriormente.

O caso também provocou manifestações de usuários nas redes sociais.

Entre os comentários recebidos pela reportagem estão relatos de pessoas que afirmam ter presenciado pacientes aguardando por longos períodos na UPA enquanto esperavam encaminhamento para o Hospital do Rocio.

Uma das manifestações afirma que a paciente teria permanecido cerca de um dia e meio na UPA, aguardando transferência mesmo após a existência de um leito disponível.

Outro comentário questiona a demora para encaminhamentos e cobra investigação sobre possíveis falhas no atendimento.

Também há manifestações de usuários reclamando da dificuldade de familiares e acompanhantes para obter informações sobre os pacientes.

Esses comentários, assim como a denúncia relacionada ao caso de Ana Luiza, estão sendo tratados pela TV Campo Largo como relatos que precisam ser oficialmente esclarecidos e investigados.

Diante da gravidade das informações, a TV Campo Largo solicitou esclarecimentos formais à Secretaria Municipal de Saúde.

Entre os questionamentos estão:

  • Quando a vaga de Ana Luiza foi efetivamente disponibilizada?
  • Em que horário a transferência foi solicitada?
  • Qual era a previsão inicial para o transporte?
  • Por que a paciente permaneceu durante tantas horas aguardando uma ambulância?
  • Quantas ambulâncias estavam disponíveis na UPA naquele período?
  • Quantas foram destinadas a transportes externos?
  • Existe orientação oficial para priorizar altas, exames e consultas em detrimento de transferências hospitalares?
  • Quem determina a prioridade dos transportes?
  • Qual é o papel da direção da UPA nesse processo?
  • O quadro clínico de Ana Luiza foi considerado de urgência para transferência?
  • Por que foi necessário retirar um médico da UPA para acompanhar a paciente na ambulância?
  • Por que o SAMU precisou ser acionado e quais eram as condições operacionais naquele momento?
  • Houve registro no prontuário sobre a evolução do quadro durante o período em que a paciente aguardava transporte?
  • A Secretaria pretende abrir uma investigação interna para apurar o caso?

Até o fechamento desta matéria a Prefeitura ainda não havia se manifestado oficialmente.

Família se despede

Ana Luiza Andrade dos Santos, de 23 anos, faleceu em Campo Largo.

Segundo informações divulgadas pela família, o velório será realizado na Capela Municipal de Campo Largo, a partir das 5h deste sábado (22).

O sepultamento está marcado para o dia 22 de agosto, no Cemitério Santo Ângelo, em Campo Largo.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde para que apresente sua versão sobre os fatos e esclareça quais são os protocolos utilizados para definir a prioridade das ambulâncias e das transferências hospitalares, porem até o presente momento ainda não foi enviado nenhum comunicado oficial.

A TV Campo Largo reforça que não está afirmando que houve negligência ou que a demora no transporte provocou a morte de Ana Luiza. A relação entre os fatos somente poderá ser determinada por avaliação médica, análise dos prontuários e eventual investigação dos órgãos competentes.

Entretanto, diante dos relatos apresentados, há perguntas que precisam ser respondidas: se havia uma vaga disponível, qual foi o motivo da demora no transporte? E quais critérios determinaram que outros deslocamentos tivessem prioridade enquanto uma paciente com quadro grave aguardava transferência?

A população e, principalmente, a família de Ana Luiza têm o direito de obter respostas sobre o que aconteceu.

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A TV Campo Largo continuará acompanhando o caso e dará espaço para a manifestação da Secretaria Municipal de Saúde, da direção da UPA e dos demais órgãos envolvidos.

Matéria: Marcopolo Pais

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