Servidores denunciam supostas perseguições e avaliações questionadas na UPA 24 Horas; Prefeitura de Campo Largo rebate acusações
Funcionários relataram possível pressão interna, notas baixas em avaliações e perseguição contra servidores que recusaram participar de eventos fora do expediente; Secretaria de Saúde afirma que todos os procedimentos seguem critérios legais
A TV Campo Largo recebeu denúncias anônimas de servidores da UPA 24 Horas de Campo Largo envolvendo supostas perseguições internas, possíveis irregularidades em avaliações de desempenho funcional e situações administrativas que estariam gerando preocupação entre funcionários da unidade de saúde.
Segundo os relatos encaminhados à reportagem, parte dos servidores afirma que o ambiente interno da UPA teria se tornado tenso nos últimos meses em razão do processo de avaliação de desempenho realizado pela unidade.
De acordo com os denunciantes, nos anos anteriores as avaliações eram conduzidas de maneira conjunta entre direção e profissionais da enfermagem, levando em consideração critérios técnicos e funcionais como qualidade do trabalho prestado, produtividade, assiduidade, relacionamento interpessoal e postura profissional.
No entanto, conforme os relatos recebidos pela emissora, neste ano alguns servidores considerados bons profissionais pela equipe teriam recebido notas consideradas baixas, mesmo possuindo histórico funcional positivo e sem registros de faltas ou problemas disciplinares.
Os funcionários afirmam que parte dos profissionais prejudicados está atualmente em estágio probatório, o que aumentou o clima de preocupação dentro da unidade. Segundo os denunciantes, existe receio de que avaliações negativas possam comprometer a permanência destes servidores no serviço público.
As denúncias citam ainda que o diretor de enfermagem, identificado nos relatos como Sr. Fábio, seria responsável pelas avaliações e posteriormente convocaria enfermeiras para assinatura dos documentos. Segundo os denunciantes, o procedimento correto deveria envolver maior participação dos próprios servidores avaliados, garantindo transparência durante o processo.
Outro ponto destacado pelos funcionários envolve a participação em eventos promovidos pela Secretaria Municipal de Saúde fora do horário regular de expediente.
Segundo os relatos encaminhados à TV Campo Largo, alguns servidores acreditam que uma das motivações para as notas baixas seria justamente a recusa destes profissionais em participar de ações e eventos promovidos fora da jornada normal de trabalho.
Os denunciantes afirmam que a situação estaria gerando um clima de pressão interna e possível perseguição funcional dentro da unidade. Parte das reclamações também envolve a atuação da diretora da UPA 24 Horas, apontada por funcionários como uma das responsáveis pelo ambiente de tensão vivido atualmente por alguns servidores.
Conforme os relatos recebidos pela reportagem, profissionais que não concordariam com determinadas práticas administrativas ou que deixaram de participar de atividades extracurriculares estariam sendo tratados de forma diferente dentro da unidade.
Os denunciantes afirmam ainda que muitos funcionários evitam denunciar formalmente as situações por medo de represálias administrativas, principalmente servidores em estágio probatório e trabalhadores terceirizados.
Outra situação relatada à TV Campo Largo envolve o envio de uma funcionária terceirizada para participação em uma atividade técnica junto a um órgão estadual.
Segundo os denunciantes, o Estado teria solicitado o envio de um profissional enfermeiro para ministrar orientações relacionadas ao armazenamento e transporte adequado de amostras biológicas. No entanto, conforme os relatos, uma funcionária terceirizada ligada à recepção teria sido enviada ao local.
Ainda de acordo com as denúncias, ao chegar ao treinamento, a funcionária não teria conseguido responder questionamentos técnicos básicos relacionados ao manuseio de tubos de sangue e armazenamento de materiais laboratoriais, situação que teria causado constrangimento e motivado contato do órgão estadual com a direção da UPA cobrando o envio de profissional habilitado.
A reportagem também recebeu denúncias envolvendo funcionários terceirizados da empresa Orbenk. Segundo os relatos, trabalhadores teriam recebido advertências após saírem durante o horário de almoço para comprar marmita, uma vez que não haviam levado alimentação naquele dia.
A situação teria causado revolta entre colaboradores e contribuído para aumentar o clima de insatisfação interna dentro da unidade.
Conforme informações recebidas pela TV Campo Largo, funcionários e médicos da UPA 24 Horas estariam organizando uma mobilização para levar as denúncias até a Câmara Municipal de Campo Largo durante sessão legislativa, buscando cobrar providências das autoridades municipais.
Diante da gravidade das denúncias, a TV Campo Largo encaminhou pedido oficial de esclarecimentos à Prefeitura Municipal de Campo Largo e à Secretaria Municipal de Saúde.
Em resposta enviada à reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o processo de avaliação de desempenho dos servidores concursados segue critérios rigorosos e padronizados para todas as secretarias municipais, incluindo as UPAs, em conformidade com os decretos municipais vigentes.
Segundo a prefeitura, nas avaliações relacionadas ao estágio probatório, a análise é realizada por uma comissão formada por três integrantes: a chefia imediata e dois servidores estatutários estáveis que atuam no mesmo ambiente de trabalho, garantindo, segundo a administração, imparcialidade e pluralidade no processo.
Já nos casos de progressão de nível, conhecida como biênio, a avaliação é feita pela chefia imediata de cada categoria profissional, como coordenação de enfermagem e direção médica.
Sobre a participação em eventos e ações promovidas fora do horário regular de expediente, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a convocação de servidores pode ocorrer em caráter obrigatório, com amparo legal no artigo 33 da Lei Municipal 2347/2011.
Conforme a nota enviada pela prefeitura, situações como campanhas de saúde da mulher exigem abertura das unidades aos sábados para ampliar o atendimento à população. Nesses casos, os profissionais convocados recebem compensação por meio de banco de horas em dobro.
A administração municipal também afirmou que servidores estatutários podem participar voluntariamente de ações da atenção primária ou de urgência fora do expediente, também mediante compensação posterior.
Em relação à denúncia sobre o envio de terceirizados para atividades técnicas, a Secretaria Municipal de Saúde negou irregularidades e afirmou que o município adota critérios técnicos na escolha dos representantes enviados para treinamentos e reuniões externas promovidos pelas Regionais de Saúde e pela Secretaria de Estado.
Segundo a prefeitura, os representantes são profissionais da categoria solicitada, priorizando responsáveis técnicos registrados em seus respectivos conselhos de classe, como Coren, CRM e CRF.
A SMS afirmou ainda que esses representantes são servidores estatutários estáveis e podem ser acompanhados por chefias da unidade.
Na nota encaminhada à reportagem, a secretaria destacou que “em nenhuma hipótese profissionais terceirizados representam o município de forma isolada em eventos externos”.
Até o momento, a Prefeitura de Campo Largo não informou se existe procedimento interno de apuração relacionado às denúncias apresentadas pelos servidores da UPA 24 Horas.
A TV Campo Largo segue acompanhando o caso e mantém espaço aberto para manifestação tanto da administração municipal quanto dos servidores envolvidos.
TV Campo Largo jornalismo de verdade, imparcial e feito por jornalista de verdade.
Matéria: Marcopolo Pais




COMENTÁRIOS