Alexandre Curi deixa o PSD e se filia ao Republicanos, acirrando disputa pelo Governo do Paraná em 2026
Saída do presidente da Assembleia Legislativa expõe fragilidade na base de Ratinho Junior e intensifica corrida interna pelo Palácio Iguaçu
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), Alexandre Curi, oficializa nesta quarta-feira (1º), em Brasília, sua filiação ao Republicanos. A decisão encerra semanas de especulação sobre sua permanência no PSD, legenda do governador Ratinho Junior, e inaugura uma nova fase de disputas internas na base governista, com foco na eleição estadual de 2026.
Com seis mandatos consecutivos como deputado estadual e à frente da ALEP no biênio 2025-2027, Curi chega fortalecido ao novo partido. Nos bastidores, ele já vinha sendo tratado como um dos principais nomes para a sucessão estadual e, ainda em março, confirmou publicamente ter recebido convite do Republicanos.
A mudança de legenda é interpretada como uma resposta direta à indefinição de Ratinho Junior quanto ao seu sucessor político. Nos últimos dias, o cenário dentro do grupo governista se tornou ainda mais instável. O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, deixou o PSD e se filiou ao MDB no dia 19 de março, enquanto o atual prefeito da capital, Eduardo Pimentel, reafirmou que não pretende deixar o cargo para disputar o governo.
Além disso, nomes como Guto Silva e Beto Preto ainda não conseguiram consolidar protagonismo suficiente para liderar a corrida. Nesse contexto, a saída de Curi surge como um movimento estratégico para evitar o enfraquecimento político dentro de um grupo que ainda não definiu sua liderança para 2026.
Nos bastidores do Palácio Iguaçu, a leitura é clara: esperar uma indicação direta do governador pode significar entrar na disputa já em desvantagem. Ao migrar para o Republicanos, Curi ganha autonomia política, amplia seu espaço de articulação e passa a exercer pressão externa sobre o grupo governista.
A movimentação também ocorre às vésperas do fim da janela partidária, que se encerra na próxima sexta-feira (3), período em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perda de mandato. A indefinição no PSD, antes contida, agora ameaça se espalhar e gerar um cenário de disputa interna ainda mais acirrada entre os pré-candidatos ao Palácio Iguaçu.
O calendário eleitoral reforça o clima de tensão. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, as convenções partidárias estão previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026, com prazo final para registro de candidaturas até 15 de agosto. A propaganda eleitoral começa oficialmente no dia 16 de agosto, abrindo espaço para meses de articulações, alianças e possíveis reconfigurações no cenário político.
Enquanto isso, o governador Ratinho Junior tenta manter seu grupo unido, mas enfrenta um desafio crescente: o risco de “canibalismo político” entre aliados que disputam o mesmo espaço e aguardam uma definição que pode nem acontecer de forma explícita.
Outro nome que observa atentamente esse cenário é o senador Sergio Moro. Com aproximação consolidada ao PL e apoio de lideranças como Flávio Bolsonaro, Moro se beneficia diretamente da fragmentação da base governista. Quanto maior a demora na escolha de um candidato único, maiores são as chances de ele se consolidar como uma candidatura competitiva já definida, enquanto adversários ainda disputam espaço internamente.
A filiação de Alexandre Curi ao Republicanos, portanto, resolve apenas parte do quebra-cabeça político no Paraná. Se por um lado encerra o suspense sobre sua permanência no PSD, por outro amplia as incertezas sobre o futuro da base governista e transforma a corrida pelo Palácio Iguaçu em um cenário ainda mais aberto, competitivo e imprevisível.




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