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Campo Largo,02/04/2026

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UPA 24h de Campo Largo vira alvo de denúncias: falta de insumos básicos contrasta com criação de cargos comissionados

Enquanto pacientes enfrentam horas de espera e profissionais relatam sobrecarga, gestão municipal é criticada por inflar estrutura administrativa da saúde


UPA 24h de Campo Largo vira alvo de denúncias: falta de insumos básicos contrasta com criação de cargos comissionados

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas de Campo Largo voltou ao centro das discussões públicas após uma série de denúncias que colocam em xeque a condução da saúde municipal. Relatos apontam para um cenário preocupante: falta de materiais básicos para atendimento, sobrecarga de profissionais da linha de frente e, ao mesmo tempo, a criação de novos cargos comissionados dentro da estrutura da unidade.

As críticas ganharam força após o vereador Gustavo Torres trazer o tema à tona durante sessão da Câmara Municipal. Segundo ele, a UPA vem enfrentando dificuldades com itens essenciais, como cobertores e luvas — insumos indispensáveis para garantir o mínimo de dignidade e segurança tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde.

Apesar desse cenário, informações obtidas indicam que a gestão municipal tem priorizado a criação de novos cargos, incluindo funções de chefia e direção. A situação levanta questionamentos sobre a real necessidade dessas nomeações, especialmente diante da existência de profissionais que já desempenham atribuições semelhantes, como o responsável técnico da unidade.

Nos bastidores, o clima é de indignação. Funcionários relatam um ambiente cada vez mais inchado administrativamente, com excesso de chefes e escassez de profissionais na linha de frente. “Tem muita gente para mandar e pouca gente para ser mandado”, afirmou uma funcionária, sob condição de anonimato, evidenciando o descompasso entre gestão e operação.

Enquanto isso, quem depende do sistema público de saúde enfrenta as consequências. Pacientes relatam longas horas de espera por atendimento, reflexo direto da sobrecarga enfrentada por enfermeiros e atendentes, que, segundo os relatos, precisam se desdobrar para dar conta da demanda crescente.

Outro ponto que chama atenção é a atuação do Poder Legislativo diante da situação. Vereadores que deveriam exercer o papel de fiscalização do Executivo são apontados, nos bastidores, como omissos diante das denúncias. Há a percepção de que parte dos parlamentares estaria “fechando os olhos” para o problema, possivelmente em razão de vínculos políticos com indicações para cargos de chefia dentro da estrutura da saúde.

A relação de proximidade entre Executivo e Legislativo também levanta questionamentos. Como já declarado publicamente por alguns vereadores, existe uma parceria com a atual gestão municipal — o que, na prática, pode comprometer a independência necessária para fiscalizar com rigor a aplicação dos recursos públicos e a qualidade dos serviços prestados à população.

Nesse cenário, o vereador Gustavo Torres aparece como uma das poucas vozes de oposição atuando de forma mais incisiva. Segundo relatos, ele tem buscado, praticamente de forma isolada, cobrar explicações e fiscalizar a situação da UPA, levantando questionamentos em nome da população que depende diretamente do atendimento público.

A situação expõe um possível desequilíbrio na gestão da saúde pública municipal, onde a ampliação da estrutura administrativa não tem sido acompanhada por investimentos proporcionais na base do atendimento — justamente onde a população mais precisa.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Campo Largo, por meio da Secretaria de Comunicação, informou que a divisão de Relações com a Mídia está em recesso até o dia 06, e que as informações serão apuradas após o retorno. Até o momento, não houve esclarecimento sobre a criação dos cargos, suas atribuições ou os critérios de nomeação.

A ausência de respostas imediatas, somada à gravidade das denúncias, intensifica a cobrança por transparência e responsabilidade na gestão dos recursos públicos. Em um momento em que a saúde exige eficiência, planejamento e prioridade no atendimento à população, a criação de cargos comissionados em meio à falta de insumos básicos levanta dúvidas sobre as reais prioridades da administração municipal.












A reportagem seguirá acompanhando o caso e aguarda posicionamento oficial das autoridades competentes.


Matéria: Jornalista Marcopolo Pais

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