Greve dos Caminhoneiros: paralisação nacional pode começar nesta quinta após alta do diesel
Aumento de quase 19% no preço do combustível pressiona transportadores e reacende risco de desabastecimento no país
Uma nova paralisação nacional de caminhoneiros pode começar já nesta quinta-feira (19), após lideranças da categoria confirmarem mobilizações em protesto contra a alta no preço do óleo diesel. O movimento ganhou força nesta semana após assembleias regionais e reuniões entre representantes do setor.
De acordo com associações e sindicatos, o principal motivo da insatisfação é o aumento acumulado de aproximadamente 18,8% no diesel desde o fim de fevereiro. Para os caminhoneiros autônomos, o reajuste compromete diretamente a viabilidade do frete, reduzindo margens e tornando a atividade economicamente insustentável.
Segundo Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), a decisão pela paralisação foi tomada após reunião realizada no Porto de Santos, em São Paulo. A orientação inicial é para que os motoristas evitem bloqueios de rodovias e optem por uma paralisação pacífica, permanecendo em casa ou em pontos de apoio, como postos de combustíveis.
“A recomendação é cruzar os braços, sem interdição de pistas, para evitar multas e ações judiciais”, afirmou o líder.
Principais reivindicações da categoria
Revisão da política de preços da Petrobras
Garantia e cumprimento do piso mínimo do frete
Fiscalização mais rigorosa sobre distribuidoras de combustíveis
Combate a possíveis abusos de margem de lucro nos postos
Estabilidade nos reajustes, evitando oscilações frequentes
Os representantes do setor também criticam o fato de que reajustes recentes teriam anulado os efeitos da isenção de impostos federais (PIS/Cofins), anteriormente concedida pelo governo.
Movimento ainda não é consenso
Apesar da confirmação por parte de entidades como a Abrava e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), nem todas as organizações aderiram oficialmente ao movimento.
A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) declarou que, até o momento, as mobilizações são regionais e não configuram uma greve nacional institucionalizada.
Governo monitora risco de desabastecimento
O governo federal acompanha a situação com preocupação. A Casa Civil e o Ministério da Infraestrutura já iniciaram o monitoramento em tempo real das mobilizações.
A principal preocupação é que uma paralisação prolongada afete o abastecimento de setores essenciais, como:
Supermercados
Postos de combustíveis
Hospitais e serviços básicos
Indústrias dependentes de logística rodoviária
Estados como Santa Catarina e São Paulo já registram pontos de concentração de caminhoneiros, indicando que o movimento pode ganhar escala rapidamente.
Cenário de alerta
Caso a paralisação se confirme em nível nacional, o Brasil pode enfrentar impactos semelhantes aos registrados em greves anteriores da categoria, com reflexos diretos na economia e no cotidiano da população.
A expectativa agora gira em torno da adesão efetiva dos caminhoneiros nos próximos dias e de possíveis negociações emergenciais entre governo e representantes do setor.
Fonte: Banda B




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