Prefeitura confirma show, libera ônibus gratuito e enfrenta novas suspeitas nos bastidores
Além de questionamentos sobre transparência, licitação do som e restrição à imprensa, relato de bastidores atribuído a integrantes do alto escalão amplia tensão em torno da Festa dos 155 anos.
Depois da forte repercussão envolvendo a possibilidade de cancelamento do show comemorativo aos 155 anos de Campo Largo, a Prefeitura confirmou oficialmente a realização do evento e anunciou gratuidade em todas as linhas do transporte público municipal neste domingo, para tentar amenizar o impacto do possível cancelamento do evento.
Na nota divulgada, a administração afirma que o show “coroa um trabalho árduo” para tornar a cidade mais viva e desenvolvida, destacando Cultura e Turismo como áreas estratégicas. Também foi anunciado passe livre em todas as linhas do transporte coletivo, inclusive para demais deslocamentos ao longo do dia. A linha Interbairros (o “madrugueiro”) contará com um horário extra às 22h30 para atender o público após o evento. A entrada de veículos no parque será permitida até o limite máximo da capacidade de estacionamento.
Gratuidade e falta de documentos
Apesar do anúncio festivo, continuam ausentes documentos públicos detalhando autorizações, contratos, pareceres técnicos e demais atos administrativos relacionados ao evento. Também não foram apresentados dados oficiais sobre o impacto financeiro da gratuidade no transporte público nem sobre eventual compensação para que a gratuidade aconteça, enquanto vários bairros sofrem com falta de linhas de ônibus a prefeitura resolve gastar com transporte gratuito para o show.
Dúvida sobre a licitação do som
Soma-se a isso a informação de que a empresa inicialmente declarada vencedora da licitação da estrutura de som pode ter sido desclassificada posteriormente. Até o momento, não há explicações formais sobre os motivos da eventual desclassificação, se houve recurso administrativo ou qual empresa assumiu o contrato em definitivo.
A situação reforça a necessidade de publicidade integral dos atos administrativos, especialmente quando envolvem recursos públicos e contratos de grande porte.
Declaração atribuída a bastidores preocupa
Outro elemento que eleva o tom da controvérsia é o relato de fontes que afirmam que, nos bastidores, secretários do alto escalão teriam dito que o evento seria realizado de qualquer forma e que eventual questionamento do Ministério Público seria tratado posteriormente, com a responsabilização de alguém, se necessário como feito anteriormente nos fogos de artificio.
¨Depois arrumamos alguém para assumir a culpa"
Não há confirmação oficial dessa declaração, mas a simples circulação desse tipo de fala já provoca forte reação nos meios políticos e jurídicos. Caso tal postura represente a linha de conduta adotada internamente, o episódio ultrapassa o campo administrativo e entra no debate sobre responsabilidade institucional.
Denúncia no Ministério Público
O caso já foi formalizado junto ao Ministério Público do Paraná, por meio da Notícia de Fato nº MPPR-0023.26.000184-9, que deverá apurar possíveis irregularidades envolvendo o evento.
Restrição à imprensa permanece
Enquanto isso, a restrição à imprensa local continua. Veículos da cidade seguem relatando dificuldades de acesso ao evento, o que contrasta com o discurso oficial de valorização do que é produzido no município.
Em um cenário de sucessivos questionamentos — sobre documentos, licitação, gastos públicos e agora declarações atribuídas a bastidores — a realização da festa ocorre sob um ambiente de vigilância e cobrança por transparência.
A comemoração pode movimentar a cidade neste domingo, mas as dúvidas levantadas dificilmente se encerrarão com o fim do show.
A TV Campo Largo, cumprindo seu compromisso com a população de levar informação com responsabilidade, confirma que estará presente no evento realizando a cobertura jornalística, assim como fez em todos os grandes acontecimentos anteriores no município.
Entretanto, devido às restrições impostas pela organização, nem a TV Campo Largo nem qualquer outro veículo de comunicação da cidade terá acesso ao camarim ou oportunidade de entrevista com a dupla Maiara & Maraisa.
A situação consolida o que já vinha sendo apontado como censura à imprensa local. Em um evento custeado com dinheiro público, a exclusão total dos meios de comunicação do município do acesso institucional mínimo levanta sérios questionamentos sobre transparência e respeito à liberdade de imprensa.
Matéria: Marcopolo Pais




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