Mudanças na Secretaria de Desenvolvimento Social sinalizam reconfiguração política em Campo Largo
Possível substituição de Eliezer Leal por Cléa Oliveira pode indicar estratégia do prefeito Maurício Rivabem para fortalecer alianças e preparar sucessão municipal
A possível substituição de Eliezer Leal por Cléa Oliveira na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e da Mulher de Campo Largo sugere um movimento estratégico do prefeito Maurício Rivabem. Cléa, ex-vereadora com 12 anos de atuação voltada a causas sociais e de defesa dos direitos das mulheres, encerrou seu mandato em 2024 e manteve-se afastada da política desde então.
Eliezer Leal, atual secretário, é jornalista e radialista, tendo sido o conselheiro tutelar mais votado nas últimas eleições . Recentemente, enfrentou denúncias sobre supostos salários indevidos, as quais foram rebatidas pela prefeitura, que afirmou a legalidade na transição de cargos.
O retorno de Cléa Oliveira à administração municipal pode estar alinhado a uma estratégia para as eleições de 2026. Sua experiência legislativa e atuação em políticas sociais a tornam uma figura com potencial eleitoral significativo. A nomeação para a secretaria poderia fortalecer sua visibilidade e consolidar uma base política para uma possível candidatura futura.
Maurício Rivabem, reeleito prefeito de Campo Largo em 2024 pelo PSD com 42,82% dos votos , tem demonstrado interesse em fortalecer sua base política. A escolha de Cléa para a secretaria pode ser uma tentativa de ampliar alianças e preparar o terreno para as próximas eleições, considerando que o prefeito não possui um sucessor de peso definido.
Alexandre Guimarães, presidente da Câmara Municipal de Campo Largo para o biênio 2025-2026, é uma figura supostamente política influente, com histórico como deputado estadual e secretário de governo. Embora tenha sido eleito presidente da Câmara com apoio do atual prefeito, há especulações sobre seu futuro político e possíveis divergências quanto ao apoio a sua possível candidatura para deputado ou à sucessão municipal.
As movimentações na administração municipal indicam uma reconfiguração do cenário político em Campo Largo. A possível nomeação de Cléa Oliveira para a Secretaria de Desenvolvimento Social e da Mulher pode representar uma estratégia para fortalecer a presença feminina na política local e preparar lideranças para as eleições de 2026. Enquanto isso, figuras como Alexandre Guimarães permanecem em segundo ou até terceiro plano, pois Mauricio parece não acreditar totalmente em seu potencial.
A eventual nomeação de Cléa Oliveira para a Secretaria de Desenvolvimento Social e da Mulher não apenas reforça a presença de mulheres em cargos estratégicos da gestão Maurício Rivabem, mas também dialoga com a identidade política adotada pela atual administração desde o início do mandato. Vale lembrar que o prefeito já optou por uma vice-prefeita mulher em sua chapa vitoriosa, o que indica uma intenção política de valorizar a representatividade feminina em cargos de liderança.
Além do simbolismo, Cléa traz capital político acumulado ao longo de sua trajetória parlamentar, especialmente entre eleitoras e segmentos sociais sensíveis às pautas de proteção animal, assistência social e igualdade de gênero. A secretaria para a qual está cotada é justamente uma das vitrines da política social do governo — o que, estrategicamente, poderia projetá-la a uma eventual candidatura majoritária ou proporcional nas próximas eleições municipais, caso consiga entregar resultados visíveis e alinhar sua imagem à da atual gestão.
Já o possível retorno de Eliezer Leal ao Conselho Tutelar, do qual se licenciou para assumir a secretaria, representa um movimento de contenção de danos. Embora tenha tentado imprimir uma marca pessoal à frente da pasta, Leal enfrentou críticas públicas, denúncias anônimas e questionamentos sobre seu acúmulo de funções. A prefeitura saiu em sua defesa, mas o episódio deixou marcas.
Sua recondução ao cargo de conselheiro tutelar não apenas resgata sua legitimidade eleitoral (foi o mais votado em 2023) como também serve para manter sua atuação ativa, mas fora do foco político mais sensível. Trata-se de um recuo calculado, que preserva a figura pública sem manter o desgaste no núcleo estratégico do governo.
Vale lembrar que Elizer se destacou muito bem durante sua permanência na secretaria o que elevou ainda mais seu nome no cenário político.
Com a aproximação do segundo semestre de 2025, as articulações visando as eleições de 2026 já se intensificam em Campo Largo. E o maior desafio do prefeito Maurício Rivabem — que ainda não sinalizou oficialmente se disputará novo cargo ou permanecerá até o fim do mandato, pois caso queira disputar as próximas eleições ele terá que renunciar o cargo de prefeito, um outro ponto é a falta de um sucessor natural consolidado dentro de sua base.
Inicialmente cotado, Alexandre Guimarães, presidente da Câmara, aparece cada vez mais distante desse papel. Apesar de sua experiência e força institucional, Guimarães tem enfrentado dificuldades em ampliar sua base popular e perdeu protagonismo no círculo mais próximo do prefeito. O afastamento gradual pode estar abrindo espaço para novas lideranças, especialmente do eixo técnico-político que se alinhou com Rivabem desde a última eleição.
Vale lembrar que Alexandre também foi ferrenho opositor ao governo anterior de Mauricio Rivabem e neste atual governo apoiou durante as eleições.
Caso se confirme a nomeação de Cléa Oliveira, o movimento pode servir como teste de viabilidade política e eleitoral. A secretaria funciona como um canal direto com a população em situação de vulnerabilidade — um território fértil para ações com alto potencial de visibilidade, especialmente em anos pré-eleitorais.
Nesse cenário, Cléa seria preparada com tempo para se consolidar como nome forte, tanto para uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná, quanto como possível candidata à prefeitura, caso Rivabem opte por não disputar novo cargo ou queira manter influência na sucessão por meio de uma aliada confiável.
A dança das cadeiras na gestão de Campo Largo não é apenas administrativa: é estratégica e carregada de simbolismo político. A possível substituição de Eliezer Leal por Cléa Oliveira na Secretaria de Desenvolvimento Social e da Mulher marca o início de uma nova fase no planejamento eleitoral do grupo de Maurício Rivabem. Com a oposição ainda desarticulada e sem nomes consolidados, o campo está aberto para a construção de uma candidatura competitiva a partir da estrutura pública — e Cléa desponta, ao menos por ora, como a aposta mais visível nesse tabuleiro.
Matéria: Marcopolo Pais
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