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Campo Largo,25/06/2026

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VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA IDOSA: RECONHECER É O PRIMEIRO PASSO PARA PROTEGER

Em junho, o Brasil se mobiliza para combater todas as formas de violência e maus-tratos contra idosos. Conheça os tipos, saiba identificar e como denunciar

Matéria : Comunicação PMCL
VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA IDOSA: RECONHECER É O PRIMEIRO PASSO PARA PROTEGER Foto : Comunicação PMCL

No Brasil, estima-se que pelo menos uma em cada seis pessoas com 60 anos ou mais já sofreu algum tipo de violência. Na maioria dos casos, os agressores são familiares ou cuidadores, e os episódios acontecem dentro da própria casa. É para romper esse silêncio que existe o Junho Violeta, uma campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa, realizada anualmente durante todo o mês de junho.

A data foi inspirada no Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra o Idoso, celebrado em 15 de junho, e reúne órgãos públicos, entidades da sociedade civil e cidadãos em torno de um objetivo comum, que é prevenir, identificar e enfrentar todas as formas de violação de direitos dessa população.

Mas você sabe os tipos de violência que são praticados contra os idosos? Nem sempre visíveis, conhecer cada uma delas é fundamental para identificar situações de risco e agir a tempo. Confira:

  • Violência física: é o uso de força que cause dor, ferimentos ou incapacidade. Inclui empurrões, tapas, beliscões, contenção forçada e qualquer forma de agressão corporal, bem como a negação deliberada de cuidados físicos essenciais.

  • Violência psicológica: abrange agressões verbais, humilhações, ameaças, xingamentos, isolamento forçado, chantagem emocional e a desqualificação sistemática da capacidade e da autonomia do idoso. Por não deixar marcas visíveis, é frequentemente subnotificada.

  • Violência financeira ou patrimonial: ocorre quando há apropriação indevida de dinheiro, bens, aposentadorias ou pensões. Também se configura pela assinatura forçada de documentos, venda ilegal de patrimônio ou qualquer forma de exploração econômica por familiares, cuidadores ou terceiros.

  • Violência sexual: é todo ato ou jogo sexual praticado sem o consentimento do idoso, incluindo abuso, assédio e exposição forçada a material de natureza sexual. Afeta homens e mulheres e pode ocorrer em ambiente doméstico ou institucional.

  • Abandono: é a deserção por parte de familiares, cuidadores ou instituições legalmente responsáveis pelo cuidado e proteção do idoso, deixando-o sem assistência, companhia ou suporte.

  • Negligência: é a omissão no fornecimento de alimentação adequada, medicamentos, higiene, acompanhamento médico, vestuário ou atenção emocional. Diferentemente do abandono, pode ocorrer mesmo quando o responsável está presente, mas ignora as necessidades do idoso.

  • Autonegligência: ocorre quando o próprio idoso recusa cuidados essenciais à sua saúde e bem-estar, colocando sua integridade em risco. Exige abordagem cuidadosa, sensível e humanizada por parte de familiares e profissionais de saúde.

  • Violência institucional: é praticada por hospitais, casas de repouso, clínicas ou órgãos públicos, e pode se manifestar como discriminação, maus-tratos, contenção física ou química desnecessária, negligência no atendimento e desrespeito à dignidade do idoso.

Golpes digitais - O ambiente digital abriu caminho para uma modalidade de violência financeira que cresce a cada ano e tem nos idosos suas principais vítimas: os golpes online. A combinação de acesso recente à internet, menor familiaridade com o funcionamento das plataformas digitais e maior disponibilidade de renda torna essa população um alvo frequente de criminosos.

Conheça alguns tipos de golpes online: 

  • Falso familiar em apuros: o idoso recebe uma mensagem, normalmente pelo WhatsApp ou ligação, de alguém que finge ser um filho, neto ou sobrinho em situação de emergência, pedindo uma transferência bancária urgente. A abordagem explora o vínculo afetivo e a pressa para impedir que a vítima confirme a informação com outras pessoas.

  • Suporte técnico falso: mensagens ou ligações simulando ser do banco, da operadora de telefone ou de órgãos como o INSS informam sobre um suposto problema na conta ou benefício, pedindo dados pessoais, senhas ou acesso remoto ao celular.

  • Investimento milagroso: ofertas de aplicações com retornos muito acima do mercado, frequentemente divulgadas por perfis falsos em redes sociais ou enviadas por aplicativos de mensagens. Após o depósito inicial, a comunicação é encerrada.

  • Romântico: perfis falsos criam relacionamentos afetivos com idosos em redes sociais ou aplicativos, ganham confiança ao longo de semanas ou meses e, em seguida, pedem dinheiro, alegando emergências ou custos de viagem para um encontro que nunca acontece.

Como denunciar - Quem suspeita ou testemunha qualquer forma de violência contra um idoso pode e deve acionar os canais de proteção. O sigilo é garantido e pode ser realizado pelos seguintes meios:

- Disque 100 - Disque Direitos Humanos: canal gratuito, disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, para denúncias de violações de direitos humanos, incluindo violência contra idosos.
- Disque 180 - Central de Atendimento à Mulher: recebe denúncias de violência contra mulheres idosas e pode acionar a rede de proteção adequada.
- 190 - Polícia Militar: para situações de violência em flagrante ou risco imediato à integridade do idoso.
- Delegacia de Crimes Cibernéticos ou delegacia mais próxima: golpes digitais são crimes previstos no Código Penal e na Lei nº 14.155/2021, que agravou as penas para fraudes eletrônicas. Registre um boletim de ocorrência presencialmente ou pelo site da Polícia Civil do seu estado.
- CRAS e CREAS: os Centros de Referência da Assistência Social recebem denúncias, acolhem famílias em situação de vulnerabilidade e coordenam a rede de proteção no território municipal.
- Ministério Público: denúncias podem ser feitas presencialmente nas Promotorias de Justiça ou pelos canais digitais do MP do seu estado.
- Unidade Básica de Saúde (UBS): profissionais de saúde são notificadores compulsórios de violência. A UBS pode acolher o idoso, registrar a notificação e acionar os serviços de proteção da região.

Números em Campo Largo - A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e da Mulher realiza campanhas de conscientização com a população, com rodas de conversa e a promoção do bem-estar físico e mental das pessoas idosas.  

Porém, ainda há um longo caminho a ser percorrido por toda a sociedade. Segundo dados divulgados pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAs), em 2025 foram registrados 13 casos de violência física, sexual e psicológica no município; em 2026 já foram 6.

Quando se trata de vítimas de negligência ou abandono, a situação é ainda pior, com 37 casos em 2025 e 18 em 2026.

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