Radares em Campo Largo geram revolta: motoristas relatam multas mesmo com semáforos em modo alerta na madrugada
Condutores afirmam que radares estão registrando infrações durante a madrugada, inclusive quando os semáforos operam apenas em sinal de alerta, levantando questionamentos sobre a finalidade da fiscalização
A instalação de novos radares em diversos pontos de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, passou a gerar forte debate entre motoristas da cidade. O que deveria representar um avanço na segurança do trânsito tem sido alvo de críticas após relatos de condutores que afirmam estar recebendo multas durante a madrugada, inclusive em cruzamentos onde os semáforos operam apenas em modo de alerta.
De acordo com motoristas, os equipamentos de fiscalização eletrônica foram instalados próximos a diversos semáforos com o objetivo de reduzir a velocidade e coibir a prática de acelerar durante o sinal amarelo para tentar atravessar o cruzamento antes do fechamento. Essa manobra é considerada perigosa e frequentemente está associada a acidentes graves em áreas urbanas.
No entanto, a situação que mais tem causado indignação entre os condutores ocorre durante a madrugada. Em vários cruzamentos da cidade, os semáforos passam a operar em modo intermitente — o conhecido “sinal de alerta”, geralmente com luz amarela piscando — justamente para indicar atenção redobrada, mas permitindo maior fluidez do tráfego em horários de baixo movimento.
Apesar disso, motoristas relatam que os radares continuam registrando infrações e gerando notificações mesmo nesses períodos, situação que levanta dúvidas sobre a lógica da fiscalização e sobre a forma como o sistema foi configurado.
A prática de manter semáforos em modo alerta durante a madrugada é adotada em muitas cidades justamente para reduzir riscos de assaltos e aumentar a segurança dos condutores. Parar completamente em cruzamentos vazios, principalmente em áreas pouco movimentadas, pode expor motoristas a situações de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, a aplicação de multas mesmo quando o equipamento está apenas sinalizando alerta tem sido vista por muitos como uma contradição. Afinal, se o próprio sistema semafórico indica apenas atenção e não uma parada obrigatória rígida, por que o radar estaria autuando os condutores?
A situação reforça críticas já recorrentes sobre a finalidade dos radares instalados no município. Embora a prefeitura costume afirmar que os equipamentos possuem caráter educativo, parte da população questiona se, na prática, o objetivo não estaria mais relacionado à arrecadação de multas.
Especialistas em mobilidade urbana destacam que a implantação de radares deve seguir critérios técnicos rigorosos, incluindo estudos de tráfego, análise de risco e adequação da programação semafórica. Além disso, quando há alteração no funcionamento dos semáforos — como o modo alerta durante a madrugada — o sistema de fiscalização eletrônica também precisa ser ajustado para evitar autuações indevidas.
Sem essa integração entre engenharia de tráfego e fiscalização, a medida pode gerar insegurança jurídica e desconfiança por parte da população.
Outro ponto levantado por condutores é a falta de comunicação clara sobre o funcionamento dos novos equipamentos. Muitos motoristas afirmam que só perceberam a mudança após começarem a receber notificações de infração em casa.
Para parte da população, a situação acaba transmitindo uma mensagem contraditória: ou o motorista respeita rigidamente a fiscalização eletrônica e se expõe ao risco de parar em cruzamentos vazios durante a madrugada, ou tenta preservar sua segurança e acaba sendo penalizado financeiramente.
Diante das críticas, cresce entre moradores e motoristas da cidade a cobrança por maior transparência da prefeitura sobre os critérios técnicos utilizados na instalação e programação dos radares. Também há quem defenda a revisão do sistema durante a madrugada, permitindo que os semáforos operem de forma compatível com a realidade do trânsito e com as preocupações de segurança dos condutores.
Enquanto o debate continua, a orientação prática para os motoristas é redobrar a atenção ao passar por cruzamentos monitorados por radar em Campo Largo, especialmente durante a madrugada, período em que muitos ainda acreditavam haver maior flexibilidade no cumprimento das regras.
O episódio reacende uma discussão antiga em diversas cidades brasileiras: afinal, os radares estão ali principalmente para educar e salvar vidas ou para ampliar a arrecadação por meio de multas?
Materia: Marcopolo Pais




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