Show de quase R$ 1 milhão, imprensa excluída e caso no Ministério Público: evento de Maiara & Maraisa pode ser interditado em Campo Largo
Sem transparência sobre documentos da festa, com denúncia formalizada no MP e imprensa local barrada, espetáculo financiado com verba pública enfrenta crise antes mesmo de começar
O show da dupla Maiara & Maraisa em Campo Largo, previsto para durar cerca de uma hora e meia, se transformou em um dos episódios mais controversos recentes envolvendo uso de dinheiro público no município.
Com custo superior a R$ 650 mil apenas em cachê e estimativa total que pode se aproximar de R$ 1 milhão ao incluir estrutura, palco, som, iluminação, segurança e logística, o evento, financiado com recursos públicos estaduais, agora é alvo de investigação.
O caso já foi levado ao Ministério Público do Paraná e gerou a Notícia de Fato nº MPPR-0023.26.000184-9, que deverá apurar possíveis irregularidades relacionadas à organização do evento.
Além da polêmica envolvendo a exclusão da imprensa local, há outro ponto ainda mais grave: quando solicitada, a Prefeitura não apresentou oficialmente os documentos necessários referentes à realização da festa.
Em contato com a Secretaria de Comunicação e demais secretarias pertinentes, não houve qualquer resposta até o momento.
Diante de denúncias de possíveis irregularidades administrativas, a ausência de transparência reforça a necessidade de apuração pelo Ministério Público. Eventos dessa magnitude exigem licenças, contratos formalizados, autorizações técnicas e planejamento detalhado — especialmente quando financiados com dinheiro público.
Sem clareza documental, cresce inclusive a possibilidade de o show não acontecer ou ser interditado por órgãos competentes, caso irregularidades sejam confirmadas.
Paralelamente à questão documental, a exclusão total da imprensa local agrava ainda mais o cenário.
Nenhum veículo de comunicação do município entrevistará a dupla. O que inicialmente seria um sorteio entre dois veículos se transformou, na prática, em exclusão geral da imprensa local.
Enquanto jornalistas ficam de fora, informações apontam que um grupo seleto de amigos do Executivo municipal terá acesso ao camarim da dupla.
O contraste é evidente: imprensa impedida de exercer seu trabalho; aliados políticos com acesso privilegiado aos bastidores.
Quando um evento é custeado com recursos públicos, ele não pertence a grupos específicos. Pertence à população.
A produção de Maiara & Maraisa já informou em outras ocasiões que as artistas costumam atender diversos veículos de comunicação sem limitação rígida.
Ainda assim, em Campo Largo, diante de uma situação que envolve exclusão da imprensa, denúncia ao Ministério Público e questionamentos públicos, não houve qualquer posicionamento oficial da dupla.
Ao aceitar participar de um evento envolto em polêmica, com imprensa barrada e possível privilégio político nos bastidores, as artistas inevitavelmente vinculam sua imagem ao cenário.
O silêncio, neste contexto, não é neutro.
Artistas que se apresentam em eventos públicos têm responsabilidade institucional proporcional à dimensão do investimento. Ignorar a controvérsia pode ser interpretado como indiferença diante da exclusão da imprensa e dos questionamentos sobre transparência.
Investir quase R$ 1 milhão para 90 minutos de espetáculo é uma decisão administrativa que pode ser debatida sob o argumento de incentivo ao turismo e à cultura. O que não pode ser ignorado é a obrigação de legalidade, transparência e igualdade de acesso.
Com o caso formalizado no Ministério Público, a situação deixa de ser apenas uma polêmica política e passa a ter contornos jurídicos.
Agora, as perguntas são objetivas:
Onde estão os documentos formais da realização do evento?
Por que a imprensa local foi excluída?
Quem autorizou o acesso privilegiado ao camarim?
O município cumpriu todas as exigências legais para a realização da festa?
- Como um show desta magnitude esta sendo realizada em área de preservação ambiental
Onde esta o vereador Rafael Freitas que defende a causa animal para verificar a questão dos animais silvestres que residem no parque? ou será que ele apenas atua na causa animal dos pets e os demais não importam ?
Enquanto não houver respostas claras, o show que deveria ser motivo de celebração continuará sendo símbolo de questionamento.
E, diante da investigação em curso, não está descartada a possibilidade de que o espetáculo sequer aconteça.
A população de Campo Largo merece transparência.
A imprensa merece respeito.
E o dinheiro público exige responsabilidade.
Matéria: Marcopolo Pais




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