Paraná entra em estado de alerta por vírus respiratórios: 523 mortes confirmadas em 2025
Com hospitais sob pressão, aumento de internações e baixa adesão à vacina da gripe, o Governo do Estado decreta situação de alerta em saúde pública. Crianças e idosos lideram estatísticas de internações e óbitos.
O Paraná está oficialmente em alerta contra a proliferação de vírus respiratórios. A medida foi anunciada em 6 de junho de 2025, por meio da Resolução nº 1.014/2025 da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), após uma escalada nas internações hospitalares e mortes causadas por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAGs). A determinação estabelece o prazo de 90 dias de alerta, com ações coordenadas entre estado e municípios para reduzir o impacto da crise.
A decisão se dá num momento de alta pressão sobre o sistema de saúde, ocupação crítica de leitos, e baixa cobertura vacinal nos grupos de risco. O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, afirmou que a medida visa conter a propagação dos vírus antes que a situação se agrave ainda mais no inverno.
Números que preocupam: mais de 500 mortes confirmadas
Os dados da Sesa revelam que, de janeiro até o início de junho de 2025, o Paraná já contabilizou:
10.635 internações por SRAG,
523 mortes por causas respiratórias graves.
Entre esses óbitos, 85 foram causados por Influenza, sendo que apenas 9 das vítimas haviam se vacinado contra a gripe. Isso mostra um forte impacto da baixa vacinação nos grupos de risco. Outros vírus circulantes, como Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Covid-19, também contribuíram significativamente para os índices de mortalidade.
Crianças e idosos são os mais afetados
As faixas etárias mais atingidas pelas SRAGs são:
Crianças de até 5 anos: 5.765 hospitalizações (+14,1% em relação a 2024),
Idosos com mais de 60 anos: 6.937 internações (+19,7%).
Esses dois grupos representam atualmente 80% das solicitações de internação via Central Estadual de Leitos, revelando uma clara vulnerabilidade desses públicos diante da atual onda de vírus.
Vacinação estagnada e cobertura abaixo da meta
A campanha de vacinação contra a gripe está muito aquém da meta. Até o início de junho, apenas 42,1% do público-alvo havia sido vacinado, mesmo com mais de 4,1 milhões de doses distribuídas.
Cobertura por grupo:
Idosos: 46,0%
Crianças: 33,7%
Gestantes: 30,8%
Segundo a Sesa, a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é de 90%, mas muitos municípios ainda não atingiram nem metade dessa cobertura. As prefeituras foram orientadas a reforçar ações de busca ativa e comunicação para aumentar a adesão.
Investimento em testagem e diagnóstico precoce
Com o objetivo de acelerar o diagnóstico e permitir tratamento precoce com antivirais, como o oseltamivir (Tamiflu), o estado adquiriu 100 mil testes rápidos para Influenza A/B e Covid-19, com um investimento de R$ 800 mil. Os testes estão sendo distribuídos para Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e hospitais estratégicos em todo o estado.
Essa testagem rápida é crucial para o início imediato do tratamento, principalmente nas primeiras 48 horas após o início dos sintomas, quando o medicamento é mais eficaz na redução da gravidade da doença.
Sistema hospitalar no limite: leitos apertados e UTIs quase lotadas
A pressão sobre a rede hospitalar é visível:
88% de ocupação nas UTIs,
62% de ocupação nas enfermarias,
10% das UTIs e 6% das enfermarias dedicadas exclusivamente a pacientes com SRAG.
Para tentar desafogar os hospitais, o Governo do Estado autorizou a abertura de 58 novos leitos:
20 leitos pediátricos no Hospital Infantil Waldemar Monastier (Campo Largo),
13 leitos no Hospital do Coração Bom Jesus (Ponta Grossa),
25 leitos no Hospital Madre Die (São Miguel do Iguaçu).
Além disso, existe capacidade de ampliar a estrutura com mais 200 leitos (50 UTIs e 150 enfermarias), caso a demanda continue crescendo nas próximas semanas.
Circulação viral ativa: Covid-19 e Influenza seguem infectando
Segundo o monitoramento da Rede Sentinela, 47,9% das amostras analisadas apresentaram resultados positivos para vírus respiratórios.
Circulam atualmente no estado:
Influenza A e B,
Vírus Sincicial Respiratório (VSR),
Coronavírus (SARS-CoV-2).
A Covid-19, embora com menor letalidade na atual fase, ainda representa uma ameaça: entre o fim de dezembro de 2024 e maio de 2025, foram registrados 14.600 casos e 94 óbitos no Paraná.
Declaração oficial
Em nota, o secretário estadual de Saúde, Beto Preto, declarou:
“Estamos vivendo um momento crítico, com aumento das internações e ocupação de leitos chegando a níveis preocupantes. O estado de alerta tem o objetivo de mobilizar toda a rede pública e privada para conter o avanço dessas doenças.”
O que muda com o estado de alerta?
Com a publicação da resolução de alerta, os municípios paranaenses devem:
Ampliar a testagem de pacientes com sintomas gripais,
Reforçar o atendimento em UBSs,
Adotar plano de contingência,
Priorizar a vacinação em grupos de risco,
Disponibilizar relatórios semanais sobre a situação local.
A medida também autoriza a contratação emergencial de pessoal, abertura de leitos temporários e repasses extras de recursos para hospitais que atenderem alta demanda.
Recomendações à população
A Secretaria de Saúde reforça as orientações para que a população:
Use máscara em ambientes fechados e unidades de saúde,
Evite contato com pessoas gripadas,
Mantenha higienização constante das mãos,
Atualize o esquema vacinal, principalmente a vacina da gripe,
Procure atendimento médico ao apresentar febre, tosse, falta de ar ou cansaço extremo.
Conclusão
O alerta sanitário no Paraná evidencia o impacto das doenças respiratórias na rede pública de saúde e revela a urgência de ações conjuntas entre governo, municípios e população. A chegada do inverno deve aumentar a circulação viral, exigindo mais prevenção, agilidade na testagem e adesão às vacinas.
A tendência é que os próximos meses sejam decisivos. A única forma de evitar um colapso no sistema de saúde é com responsabilidade coletiva, atenção aos sintomas e compromisso com a imunização.




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