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Campo Largo,03/09/2026

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SILÊNCIO, O MAIOR INIMIGO DA MULHER NA MENOPAUSA

Falta de informação e de acompanhamento médico ainda fazem com que sintomas sejam naturalizados ou tratados como exagero

Matéria : Comunicação PMCL
SILÊNCIO, O MAIOR INIMIGO DA MULHER NA MENOPAUSA Foto : Comunicação PMCL

A menopausa marca o encerramento da fase reprodutiva da mulher e corresponde à última menstruação espontânea. Nesse período, os ovários deixam de produzir, de forma progressiva, hormônios como estrogênio, progesterona e testosterona, provocando uma série de mudanças no organismo.

Embora seja uma etapa natural da vida, a menopausa ainda é cercada por dúvidas, tabus e falta de informação. Segundo uma pesquisa nacional realizada pela Ipsos, no Brasil cerca de 30 milhões de mulheres vivem atualmente o climatério ou a menopausa. Entre aquelas que apresentam sintomas, 44% não realizam nenhum tipo de tratamento.

Especialistas destacam que conhecer as transformações do próprio corpo e procurar orientação profissional são atitudes fundamentais para atravessar essa fase com mais qualidade de vida.

Sinais — A menopausa não acontece de forma repentina. Nos anos que antecedem a última menstruação, o organismo já pode apresentar alterações hormonais e sinais físicos e emocionais. Esse período é conhecido como climatério.

Entre os sintomas mais comuns estão ondas de calor, irritabilidade, insônia, alterações na distribuição da gordura corporal, perda de massa óssea e redução da libido. Também há aumento do risco de doenças cardiovasculares ao longo dessa fase.

Essas mudanças podem desencadear outros problemas que interferem diretamente na rotina. Cansaço, sensação de esgotamento e alterações no sono, por exemplo, podem comprometer a disposição e o bem-estar.

Com as mudanças hormonais e metabólicas, o organismo também pode apresentar maior dificuldade para processar açúcares e gorduras, favorecendo alterações no colesterol e contribuindo para o aumento do risco cardiovascular, incluindo infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A intensidade e a duração dos sintomas variam de mulher para mulher. Enquanto algumas enfrentam alterações por vários anos, outras passam pelo climatério com poucos ou nenhum sintoma significativo.

Falta de orientação — Os dados da pesquisa da Ipsos também chamam atenção para a falta de informação. Cerca de 53% das mulheres entrevistadas relataram não ter recebido orientação médica adequada sobre a menopausa.

Além disso, metade das participantes apresentou queixas como insônia, cansaço, depressão, irritabilidade e perda de libido. Em muitos casos, esses sintomas foram desconsiderados ou tratados como “exagero” ou simplesmente como algo “normal” da idade.

Para especialistas, a naturalidade da menopausa não significa que os sintomas devam ser ignorados. A falta de acompanhamento pode fazer com que alterações que poderiam ser avaliadas e tratadas comprometam a qualidade de vida das mulheres.

A deslegitimação das queixas também pode ocorrer dentro de casa e no círculo social, contribuindo para que muitas mulheres permaneçam em silêncio diante das mudanças que estão enfrentando.

Informação e diálogo — Diante desse cenário, a Prefeitura de Campo Largo, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, reforça a importância de ampliar o debate sobre a menopausa e incentivar as mulheres a procurarem os serviços de saúde quando perceberem alterações.

A orientação é que sintomas persistentes sejam relatados aos profissionais de saúde. O diálogo é importante para identificar as necessidades de cada paciente e avaliar as possibilidades de acompanhamento e tratamento.

Entre as alternativas disponíveis para o controle dos sintomas está a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), considerada uma das opções mais eficazes para determinadas mulheres. A indicação, entretanto, deve ser individualizada e feita por profissional de saúde, levando em conta o histórico e as condições de cada paciente.

Mais do que tratar sintomas, ampliar o acesso à informação e ao atendimento adequado é uma forma de garantir que a menopausa seja encarada como uma etapa natural da vida, mas que merece atenção, acompanhamento e cuidado.

O silêncio não precisa fazer parte dessa fase. Falar sobre menopausa, reconhecer os sinais do corpo e buscar orientação são passos importantes para preservar a saúde e a qualidade de vida.

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