Casamento caipira invade hospital e transforma pacientes em padrinhos, daminhas e convidados com o Medicando Alegria
Com música, humor e participação das famílias, projeto transforma a rotina hospitalar em um arraial e leva cultura, acolhimento e momentos de descontração às crianças em tratamento
Foto : Medicando Alegria “Onde está o noivo?”, essa foi a pergunta que ecoou pelos corredores do Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, e rapidamente ganhou a resposta das crianças, que apontavam animadas para o atrapalhado Tonico, protagonista do casamento caipira promovido pelo projeto Medicando Alegria.
A tradicional cena das festas julinas ganhou um cenário diferente durante as apresentações realizadas neste mês de julho, sempre às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das 8h30. Entre música, malabarismo, dança de quadrilha, muito humor e participação do público, a sala de espera do hospital se transformou em um verdadeiro arraial.
As crianças em atendimento deixaram, por alguns instantes, a rotina de consultas e tratamentos para assumir papéis especiais na cerimônia. Elas se tornaram daminhas, pajens e padrinhos do casamento, enquanto pais e responsáveis também entraram na brincadeira, dando conselhos matrimoniais aos noivos e arrancando muitas risadas de quem acompanhava a apresentação.
Idealizador do Medicando Alegria, Toto Lopes destaca que a proposta é levar a cultura popular brasileira para dentro do ambiente hospitalar, tornando o atendimento mais leve para pacientes e familiares. “Conseguimos trazer histórias, tradições e culturas do nosso Brasil e do Paraná para dentro do hospital. Até os adultos dão risada, as crianças se divertem, e esse é o objetivo do projeto, levar alegria a cada apresentação, todas as semanas, atendendo milhares de pessoas. Já alcançamos mais de 160 mil pessoas e, em 2027, completaremos cinco anos de projeto, graças aos nossos patrocinadores, Cimento Itambé, Caterpillar e Ministério da Cultura. Só temos a agradecer pelo apoio e também pelo acolhimento do hospital e das famílias”, afirma.
Frequentando o hospital desde janeiro, Andréia Paes de Almeida conta que a filha Isabela já criou um carinho especial pelos artistas. “A Isabela já tem até foto com eles e, toda vez que a gente vem, ela quer tirar outra, porque ela gosta muito deles. Estamos dentro de um hospital, então eles conseguem animar as crianças. Eu também gosto, sempre gravo vídeos”, relata.
A emoção também marcou a participação de Valdir Brasília de Ramos, morador de Foz do Jordão. Ele enfrenta cerca de quatro horas de viagem para acompanhar o tratamento do filho, de apenas um ano e sete meses. “É a segunda vez que participamos. Meu filho estava mais quietinho, com gripe, mas quando viu eles chegando já ficou feliz e começou a brincar. Não há nada melhor para um pai do que ver o filho assim. Essas apresentações tiram a tensão das crianças, que chegam nervosas por causa das consultas. Durante a apresentação, elas esquecem o motivo de estarem ali. Esse projeto precisa continuar e servir de exemplo para outros lugares.”
Quem compartilha do mesmo sentimento é Fabiana Debas, mãe de Josiane, que vem de General Carneiro e frequenta o hospital há cerca de um ano e meio. “A Josi gosta muito de participar. Ela fica empolgada quando vê eles chegando, pula, canta e participa de tudo. É muito importante para as crianças. Na minha cidade não existe nada parecido com o Medicando Alegria e faz muita falta”, completa.
A cada mês, o Medicando Alegria apresenta uma temática diferente, levando aos corredores do hospital novas histórias, personagens, músicas e brincadeiras inspiradas na cultura brasileira. Além das apresentações realizadas nas áreas de espera, os artistas também percorrem os setores de internação, levando o espetáculo até os pacientes que não podem deixar os quartos e garantindo que ainda mais crianças e familiares tenham a oportunidade de viver esses momentos de descontração.
Para Toto Lopes, cada apresentação representa uma oportunidade de transformar o ambiente hospitalar em um espaço mais acolhedor. “Enquanto houver uma criança precisando de um motivo para sorrir, nós estaremos aqui. Nosso compromisso é levar cultura, alegria e esperança para quem enfrenta momentos difíceis, fazendo com que, por alguns instantes, o hospital também seja um lugar de boas lembranças”, finaliza.
O projeto Medicando Alegria é realizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Caterpillar, Cimento Itambé e realização de Toto Lopes, Ministério da Cultura e Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro.




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