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Campo Largo,04/05/2026

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A fábula que cura: projeto transforma rotina de crianças em hospital infantil de Campo Largo

Com música, teatro e clássicos da literatura, iniciativa criada por Toto Lopes reduz ansiedade e leva acolhimento a pacientes e familiares

Matéria : Redação
A fábula que cura: projeto transforma rotina de crianças em hospital infantil de Campo Largo Foto : Lucas Rachinski

O que antes era marcado pelo silêncio e pela ansiedade da espera por atendimento médico, hoje ganha novos sons e significados dentro do Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Risos, música e histórias passaram a fazer parte da rotina de crianças graças ao projeto Medicando Alegria, que utiliza clássicos da literatura para transformar o ambiente hospitalar em um espaço mais humano e acolhedor.

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No mês de abril, a iniciativa levou à unidade a tradicional fábula “A Formiga e a Cigarra”, encenada de forma lúdica e interativa. A proposta vai além do entretenimento: por meio da arte, os artistas trabalham valores essenciais como responsabilidade, representada pela formiga, e a importância da alegria e da expressão artística, simbolizada pela cigarra.


Para os pequenos pacientes, a mensagem é direta e sensível: a vida exige compromissos, mas é a alegria que torna a jornada mais leve — um ensinamento especialmente significativo dentro de um ambiente hospitalar.


O impacto é percebido rapidamente no comportamento das crianças e também no alívio das famílias. A mãe Jéssica Cristina Alves da Silva relata que a mudança na rotina da filha foi evidente após o contato com o projeto.

“Eu acho que faz muita diferença. Ela fica muito mais calma, muito mais tranquila. Parece que a consulta flui melhor”, afirma.


Segundo Jéssica, o vínculo criado com os artistas ultrapassa o momento da apresentação. “Quando não tem, ela sempre pergunta: ‘hoje não vai ter os amiguinhos?’. Ela já está até acostumada com eles”, conta, destacando como a iniciativa consegue humanizar um ambiente frequentemente associado ao medo e à insegurança.


Especialistas em humanização hospitalar apontam que atividades lúdicas como essa contribuem diretamente para o bem-estar emocional das crianças. O estímulo artístico favorece a liberação de endorfina — hormônio ligado à sensação de prazer — e reduz os níveis de cortisol, responsável pelo estresse. Nesse contexto, o paciente deixa de ser apenas alguém em tratamento e passa a ser participante ativo de uma experiência que estimula criatividade, imaginação e aprendizado.


Mais do que um projeto cultural, o Medicando Alegria reforça a importância de um cuidado integral com a saúde infantil, considerando não apenas o aspecto físico, mas também o emocional e psicológico.


Projeto e impacto social

Criado pelo artista plástico Toto Lopes, que atua há 15 anos como voluntário no hospital, o projeto já impactou cerca de 160 mil pessoas em todo o Paraná desde o início de suas atividades.


A iniciativa é viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio das empresas Caterpillar e Cimento Itambé, além da realização conjunta com o Ministério da Cultura e o Governo Federal.


O sucesso do Medicando Alegria demonstra como a arte pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social, levando acolhimento, leveza e esperança para dentro de ambientes que, muitas vezes, são marcados pela apreensão.

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