UPA 24h de Campo Largo entra em colapso: Falta de respiradores, perseguições internas e omissão do poder público expõem risco real de morte
Profissionais da saúde denunciam caos na UPA 24h, com equipamentos quebrados, perseguições internas, falta de fiscalização e um sistema que silencia quem denuncia. Vidas estão em risco enquanto vereadores e secretária de saúde se mantêm inertes.
A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas de Campo Largo, que deveria ser referência no atendimento de emergências médicas, vive um verdadeiro colapso estrutural e administrativo. Relatos graves apontam não apenas para a falta de equipamentos básicos como respiradores e insumos médicos, mas também para uma rede de omissão, possível perseguição e ineficiência administrativa que vem se arrastando há meses, colocando vidas em risco diariamente.
Segundo denúncias de profissionais da própria unidade, dos quatro respiradores disponíveis na UPA, apenas dois estão em funcionamento, e mesmo estes apresentam falhas técnicas. A qualquer momento, esses aparelhos podem falhar completamente, deixando pacientes em estado grave sem qualquer possibilidade de suporte ventilatório.
Em um desabafo desesperado num grupo interno de WhatsApp, uma enfermeira relatou:
“Ontem peguei plantão e já tinham sinalizado que um respirador não estava funcionando. Como você chega num plantão caótico, sozinha, e vai testar equipamentos? Já assumi o plantão com emergência. A coitada da *** também assumiu plantão com PCR. Se avisamos à noite de algum equipamento, ninguém troca. Até uma lâmpada de laringoscópio, algo simples... não temos.”
A situação é tão grave que profissionais têm recorrido ao uso do AMBU (respirador manual) para manter pacientes vivos. Esta semana, dois pacientes em estado grave precisaram do aparelho, mas só sobreviveram graças à habilidade e dedicação da equipe de enfermagem, que improvisou o atendimento na ausência dos equipamentos necessários. Caso contrário, poderiam ter ido a óbito.
Sucateamento e má gestão administrativa
As críticas não se limitam à estrutura. A diretora da unidade vem sendo duramente criticada por sua postura possivelmente autoritária e intransigente. Após a denúncia de que respiradores estavam quebrados, a diretora teria alegado “não saber fazer licitação” — função essa que anteriormente era realizada por um servidor com experiência, que, segundo fontes, foi desligado da unidade por possíveis desavenças pessoais com a própria diretora.
Esse funcionário, considerada competente e habilitado para lidar com a burocracia da compra de materiais e manutenção de equipamentos, teria sido afastado possivelmente porque não agradava à diretora geral. Desde sua saída, os processos de compra e manutenção praticamente pararam.
Pior: colegas relatam que a servidora que realizou as denúncias no grupo de WhatsApp, após denunciar os problemas e cobrar providências, passou a ser alvo de perseguição interna. Misteriosamente, ela também foi demitida de outro emprego que mantinha fora da UPA. Há suspeitas de que essa demissão tenha ocorrido por possível interferência direta da diretora, como forma de punição velada por ter exposto os problemas.
Falta de diálogo e sabotagem interna
Os demais diretores da UPA 24h também tentam alertar a secretária sobre os riscos iminentes. Reuniões foram realizadas, e segundo relatos internos, alguns diretores procuraram a própria secretária de saúde para relatar os problemas. No entanto, nenhuma providência concreta foi tomada pela secretaria, alimentando a percepção de que há uma possível aliança de omissão ou, no mínimo, uma grave negligência da administração municipal.
Alguns diretores também teriam proposto soluções práticas e imediatas para resolver alguns problemas, mas as sugestões não foram colocadas em prática pela diretora geral. Segundo fontes, a razão seria pessoal: ela não aceitaria implementar ideias alheias para evitar que outros diretores ganhem crédito pelas soluções.
Essa postura agrava o cenário, pois demonstra que a vaidade administrativa está sendo colocada acima da vida dos pacientes.
Fiscalização inexistente e vereadores omissos
O que mais revolta os profissionais da saúde e a população que começa a tomar conhecimento da crise é o completo silêncio da Câmara Municipal. Mesmo informados da situação, nenhum vereador se pronunciou publicamente até o momento. Ao invés de exercerem seu papel fiscalizador, os parlamentares continuam aprovando projetos do Executivo que oneram os munícipes sem questionar a realidade caótica da saúde pública local.
A omissão do Legislativo é tão grave quanto a da gestão da UPA. São os vereadores os responsáveis legais por fiscalizar os atos da prefeitura e cobrar providências em situações como esta. No entanto, parece que a saúde pública perdeu espaço nas pautas de interesse político.
A UPA está à beira do colapso total
É preciso reforçar: estamos falando da principal unidade de atendimento emergencial de Campo Largo. O local onde pacientes em situação crítica recorrem como última esperança está funcionando sem respiradores suficientes, com materiais de monitoramento incompletos, com luvas em tamanhos incompatíveis colocando os profissionais em risco, e com cabos de monitores faltando. A farmácia da unidade sequer fornece insumos básicos com regularidade.
“Queria convidar a Secretária de Saúde pra ficar numa emergência com um monitor sem cabo de oxímetro, ECG e PNI. Eu mesmo cheguei a levar luva estéril numeração menor pois a UPA só tinha disponível 8,5, e quase me contaminei ao realizar uma sondagem vesical”, relata uma profissional.
A indignação se soma à angústia. E o medo maior não é mais apenas do caos administrativo, mas das consequências reais: mortes evitáveis. Quantas vidas precisam ser perdidas para que algo seja feito?
Coincidentemente em um prazo de uma semana ocorreram 5 mortes em sequência todas as mortes de idosos.
Conclusão: a saúde pública de Campo Largo está em UTI — e sem respirador
O que está acontecendo na UPA 24h de Campo Largo não é apenas um problema técnico ou administrativo. É uma crise sistêmica de gestão, marcada por omissão, vaidade, perseguições internas e negligência com vidas humanas. A diretora da unidade, a secretária municipal de saúde e os vereadores que deveriam zelar pela fiscalização dos recursos públicos e garantir dignidade aos atendimentos falham em todas as frentes.
O resultado é um sistema que adoece seus profissionais, abandona seus pacientes e silencia quem tenta fazer diferente. Campo Largo respira por aparelhos — e mesmo esses, estão quebrados.
É hora de responsabilizar quem está deixando a população à própria sorte. A sociedade civil precisa se mobilizar, o Ministério Público precisa agir rapidamente para salvar vidas, e os vereadores precisam finalmente lembrar a quem devem prestar contas: ao povo.
Enquanto isso, nas salas de emergência da UPA 24h, os heróis de jaleco continuam salvando vidas com o que têm — e com o que não têm.
É triste e trágico ver os heróis da saúde lutarem sem armas dignas.
Matéria: Marcopolo Pais




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